Tá aqui um dos meus assuntos preferidos, a Religião. Estava aqui em casa, sentado, lendo um livro que achei por acaso no armário, Homens e Caranguejos de Josué de Castro, e me deparei com um momento que me deu uma luz de ideia, a Religião.
Era uma conversa entre João Paulo e o Padre Aristides, onde o Padre pergunta ao menino João Paulo, se ele hora sempre antes de dormir, se segue os mandamentos, e se os sabes de cabeça. João afirma que sim, exceto a oração, pois existem dias que ele está exausto de sono, ele não explica os motivos ao padre, só diz que tem dias que dorme mal e que o corpo lhe faz compensar noutro dia.
No entanto, o narrador da história conta, João Paulo não consegue dormir bem algumas noites, não somente por uma insônia, mas pelo excesso de sons de seu pequeno lar, seu mocambo, roncos, e principalmente peidos. Muitos peidos durante a noite por parte de sua família, mas não é atoa, são buchos grandes, cheios de gases, como o de muitas crianças pobres. A alimentação de sua família consiste em Caranguejo e bastante farinha, a farinha é a maior forma de enganar o estômago, de dar-lhe a sensação de um banquete, e em consequência o enche de gases.
Ademais, mesmo com tudo isso, João Paulo segue bem as regras de sua igreja, o que me fez refletir, que o céu não é para todos, o céu não é direito de todos, então, de quem é o céu? Quem que possui o direito a esse paraíso tão lindo?
O Céu é para os pobres, os verdadeiros devotos, aqueles que seguem com fé e confiança, assim como João Paulo, sua vida é miserável, vive no meio da lama junto com os caranguejos, seu alimento diário, vive quase como um, não entende o porquê de viver ali, mas lá se encontra. João Paulo é pobre, pelo que li até então, sua família saiu do cartão para tentar uma vida na cidade e nada conseguira, João Paulo vive em uma situação de miséria.
E tudo isto, me fez refletir que o Céu, é a esperança dos que sofrem. Só anseia verdadeiramente pelo Céu, aquele que sabe o que é sofrer na Terra, afinal, sem o céu, onde estão suas esperanças? O Céu é a única justificativa pra todo esse sofrimento, afinal, quanto mais sofreres na Terra, maior serás seu Galardão nos Céus. Pra reforçar meu pensamento, tem uma frase bíblica, creio eu ter dita por Jesus Cristo, “é mais fácil um camelo entrar no buraco de uma agulha, do que um rico no reino dos céus”.
Um rico não sabe o que é sofrer, ele vive em um céu na Terra, ele não tem pra que ansiar algo, afinal ele não sabe nem como é viver na condição de um verdadeiro sofredor, mesmo dando seu dízimo certo, ele não entende como é a situação daqueles que se beneficiam de cestas compradas com tais dízimos, e volto novamente a uma história bíblica, a história da viúva, que deu suas únicas moedas para a igreja, aquilo era tudo que ela tinha, e ela confiou ao senhor. Um rico, mesmo com altos dízimos, jamais compreenderá a fé empreendida naquela moeda pela viúva.
O Céu é para os sofredores, o céu é para os pobres, o Céu é para todos aqueles que não puderam desfrutar do gozo da terra dada por Deus, aqueles que foram lhe tomado o direito de desfrutar de tudo que Deus lhe deu, Deus não os esquecerá, Deus preparou o Céu pensando neles, o Céu é para eles. O Céu é o pagamento de Deus, para todos os seus filhos que tiveram seus direitos ao mundo negados pelos ricos, o Céu é a esperança para os pobres, se o Céu não existisse, de que valeria viver sofrendo?